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jul 11

Posse do nosso novo pároco – Padre João Rodrigues de Paula

A Paróquia Nossa Senhora das Dores da pequena cidade de Dores de Campos presenciou um momento histórico na última segunda-feira, 08. Padre João Rodrigues de Paula, natural de Barroso, tomou posse como novo pároco, recebendo a provisão para administrar e trabalhar pastoralmente na comunidade.

A recepção do sacerdote se deu com muita músicas e aplausos. Logo em seguida todos se dirigiram para a igreja matriz para a cerimônia de posse presidida pelo bispo diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento, e concelebrada por diversos padres da região.

Após a leitura da provisão canônica, padre João fez a profissão de fé e seu juramento de fidelidade. O sacerdote também recebeu a chave da igreja, juntamente com alguns símbolos como a chave do sacrário, representando a eucaristia, a concha do batismo e a estola roxa, representando o Sacramento da Penitência ou Reconciliação. Ao final da missa, após a homenagem da comunidade, o padre realizou o discurso de agradecimento.

Texto de Lucas Silveira – DEDICOM

Leia a seguir o discurso de posse:

DISCURSO DE POSSE CANÔNICA – PADRE JOÃO RODRIGUES DE PAULA

08/07/2017 – PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DAS DORES, DORES DE CAMPOS – MG

– Exmo. Revmo. Sr. Dom José Eudes Campos do Nascimento, bispo diocesano;

– Exmo. Sr. Prefeito Municipal, Marcílio Tadeu Teixeira Cotta, na pessoa de quem saúdo as demais autoridades civis e militares presentes nesta celebração;

– Prezados integrantes das diversas pastorais paroquiais, irmandades e associações desta Paróquia de Nossa Senhora das Dores;

– Caros conterrâneos e fiéis das Paróquias de Sant’Ana e de Nossa Senhora do Rosário de Fátima;

– Amados e amadas do Senhor, que, a partir de minha posse canônica, foram confiados à minha responsabilidade e encargo pastoral e desta forma se tornaram os meus novos paroquianos.

Esta noite do dia oito de julho de dois mil e dezenove é uma data memorável. Estou iniciando uma nova etapa da história de minha vida sacerdotal. Depois de, exatamente, duas décadas, exercendo com alegria e entusiasmo o ministério sacerdotal em minha terra natal, a cidade de Barroso, na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, eu recebo uma nova missão em nossa Igreja Diocesana.

Não posso deixar de registrar a profunda gratidão a Deus e a todos aqueles que fizeram parte desta história, que se iniciou no distante ano de 1999. Foi um enorme desafio começar uma nova Paróquia. Foram anos de trabalho fecundo e constante com o apoio irrestrito da população de Barroso. Juntos caminhamos e construímos, estrutural, pastoral e espiritualmente, a nova realidade eclesial: A Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima com sua própria identidade, que ultrapassou os limites do município e é admirada e reconhecida pela beleza de suas igrejas e pelo incansável trabalho pastoral ao longo desses anos.

Mas a história tem o seu próprio dinamismo. A vida é sempre movimento. E por isso, nos desígnios misteriosos de Deus, que se manifestam através das pessoas, é sinalizada a hora de partir, através da determinação do Sr. Bispo Diocesano. Mesmo que as evidências humanas pareçam indicar o contrário, na condição de sacerdote, homem de fé e oração, quero interpretar esta circunstância à luz do Evangelho e ler neste acontecimento da minha vida o projeto divino que devo realizar. Mesmo quando julgamos que estamos planejando e organizando tudo de acordo com nossos critérios humanos, na verdade, é Deus quem dirige e governa todas as coisas. Somos apenas instrumentos, mesmo quando nos falta a clareza desta percepção.

Onde e como buscar forças para esta decisão episcopal? A motivação brota por saber que, em qualquer lugar, seja na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, seja na Paróquia de Nossa Senhora das Dores, mas sempre com a presença e a solicitude maternal de Maria, mãe da Igreja, estou contribuindo, com o meu serviço sacerdotal, apesar das minhas fraquezas e limitações, para construir o Reino de Deus. Saber que se trata de uma obra divina confere alegria e prontidão na vida missionária. Recorro, neste momento, ao ensinamento de Santo Agostinho: “ Dai-me, Senhor, a força para cumprir o que ordenais e ordenai, Senhor, o que quiserdes.”

Dessa forma, estou com o coração aberto para acolher este novo horizonte pastoral que se descortina diante de mim: a Paróquia de Nossa Senhora das Dores, nesta cidade de Dores de Campos, conhecida como a capital mineira do couro. Tenho o conhecimento de que vocês são pessoas laboriosas, dotadas de um extraordinário espírito empreendedor e criativo, trabalhando não somente na grande indústria calçadista, mas também nas diversas oficinas de artesanato em couro, espalhadas pela cidade. É um mercado próspero que acolhe trabalhadores de outros municípios, inclusive de Barroso. Muitos são os jovens e pais de família que encontram aqui uma oportunidade de trabalho. Hoje, na minha pessoa, é mais um barrosense que chega a Dores de Campos, não para ocupar uma vaga no mercado de trabalho, mas como operário da seara do Senhor, a serviço da missão da Igreja, a evangelização.

A Paróquia de Nossa Senhora das Dores tem uma história centenária, pois a conclusão da atual Matriz remonta ao ano de mil novecentos e um. Além disso, possui as suas tradições religiosas, culturais e artísticas, como a Lira e Orquestra São Sebastião e a Lira e Orquestra Nossa Senhora das Dores. Num primeiro momento, como Pároco, começarei a fazer, a partir de agora, parte desta história, observando e respeitando as suas conquistas e realizações, ou seja, o caminho já percorrido. Mas, devido ao múnus a mim confiado, não serei um mero expectador como no cinema ou diante da televisão. Percebendo os desafios e dificuldades, na condição de pastor do rebanho, como lembra o Salmo 23, devo conduzir o povo de Deus para pastagens verdejantes e águas tranquilas. É exatamente isso o que recomenda o Subsídio Doutrinal da CNBB, intitulado: Presbítero, anunciador da Palavra de Deus, educador da Fé e da moral da Igreja, no número 31: “ Os presbíteros exercerão o seu ministério, agindo não segundo o coração dos homens, mas segundo as exigências da doutrina e da vida cristã, ensinando e admoestando seus fiéis, como a seus filhos queridos.” Os navegantes, Em alto mar, encontram um farol para se orientar; as pessoas, no meio da escuridão da noite, têm a lua para iluminá-las, e nós, católicos, em meio à pluralidade e diversidade de manifestações devocionais e vivências religiosas, temos o porto seguro do ensinamento e da liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana. Ao principiar o meu paroquiato, quero recordar as palavras do Papa Francisco na homilia da Santa Missa Crismal do dia 28 de março de 2013, quando afirmou que o padre deve ser pastor com o “ cheiro de ovelhas “, ser pastor no meio do rebanho e pescador de homens.

Tenho a convicção de que, nesta cidade, inserido na vida de vocês, como sinal e instrumento da presença de Deus, serei muito feliz, porque, como asseverou o Pe. José Carlos dos Santos, numa palestra durante o retiro espiritual do clero, neste ano: “ O que traz a felicidade é viver uma vida que tem sentido “. E para mim, todo significado da vida está na vinculação a Cristo, o supremo e eterno Sacerdote. Nesse sentido, ilumina-me a música de Frei Luiz Turra, os grãos que formam a espiga, quando diz: “ Diante do altar, Senhor, entendo minha vocação, devo sacrificar a vida por meus irmãos “.

Agradeço a todos pela presença e peço que, através da oração, da amizade e de gestos concretos, isto é, de maneira afetiva e efetiva, todos possam ajudar-me no exercício do ministério sacerdotal, enquanto invoco sobre cada um que se encontra aqui, neste momento, a proteção da Virgem Maria, nesta cidade invocada e amada com o título de Nossa Senhora das Dores.

Fotos: Vinícius Teixeira – PASCOM

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